Não sendo grande apaixonado pela literatura de M.S.Tavares, há um livro dele que gostei particularmente, começando logo pelo titulo, ou não seja eu fã das leituras e dos
heróis do
Old Wild West.
Este livro narra uma série de pequenos episódios, começando por aquele em que o David
Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, havia uma índia muito bonita - uma «
skaw», na literatura do
Far-
West - que cuidava dele, dia e noite,
molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa
altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: «não te deixarei
morrer, David
Crockett!
Como tal há alguns episódios pelos quais tenho passado, nomeadamente de sã camaradagem, que pelo simbolismo, insólito, ou
espontaneadade, gostaria que não morressem no meu esquecimento, como tal, vou aqui retratar algumas das cenas dos
últimos capítulos.
- Antónia RodriguesTinha eu acabado de almoçar na Veneza Portuguesa, na companhia do meu colega
Cmdt João Veiga, saímos do "
Palhuça" na direcção do canal de S.Roque, quando este se lembra:
-
Épá, tenho de te mostrar uma coisa, um dia deste vinha com o Chico numa destas ruas, e o Chico chamou-me a atenção para o nome da rua "Antónia Rodrigues".
E pergunta-me o Veiga, sabes quem foi Antónia Rodrigues?
Claro que a minha resposta foi negativa.
- Então pergunta-me, "quem foi Antónia Rodrigues?"
Claro que eu tive de perguntar "quem foi Antónia Rodrigues?
-
Tava a ver que não perguntavas. Antónia Rodrigues, foi uma tipa que na
época de 500, se vestiu de homem para poder embarcar numa nau (
ganda maluca), tudo correu bem até ao momento em que um
panilas a bordo se apaixonou por ela (que para si era ele), a farsa foi descoberta quando ela para se ver livre do
panilas teve de se afirmar como mulher.
Posto isto, andámos ali ás voltas, mas não demos com a rua, e acabámos por desistir.
Hoje fui jantar ao "
Palhuças", como não sabia bem onde ficava, era para ali numa transversal, mas lembrei-me que tinha a factura do almoço anterior, fui ver a morada á factura,
"Rua Antónia Rodrigues, nº28"
- Em Roma, sê romanoSaímos a bordo do
NVV Veronique, com destino á baía de S .
Jacint Sur La
Mer, a fim de almoçarmos, eu, o Pedro, o Bolha e Veiga, atracámos num pontão que estava livre para o efeito, estando calor, o nosso Veiga
manifestou o desejo de comprar uma t-
Shirt, porque o seu
pólo de manga comprida lhe estava a causar calor.
Ao que o Bolha se lembra que existe por ali uma loja de chineses, como tal devem vender disso.
Depois de encontrada a loja, foi a altura de escolher entre a cores
disponíveis, só havia amarelo.
O Veiga perguntou ao
proprietário quanto custava.
A resposta foi prontamente dada:
"
tlés eulos"
O nosso Veiga viu logo uma oportunidade de praticar os seus dotes de poliglota, e do alto dos seus dois metros:
"tem pala o meu
tlamanho?"
- Alhandra "A Real" ?
Ora andava eu pelas minhas andanças
terráqueas ali para os interiores do país, quando de repente dou de caras com uma placa indicativa de que estava a entrar na povoação de "Alhandra", claro que soltei logo um ponto de exclamação, ou seja, um vulgar "
fdasse", não resisti e tirei uma foto, como é sabido, a maquina fotográfica vai comigo sempre e agora até me deram uma que tem telefone.
Posto isto, á noite andava eu nas minhas andanças
cybernáuticas, entra-me o
JOQ, e pergunta-me?
- Já estás em Alhandra?
Não, mas ainda á pouco lá estive e já estou em Aveiro outra vez.
-
Tás-me a baralhar.
Não
tou nada, queres ver? Ao enviar a foto pelo
msn perguntei se ele fazia ideia do que disse quando vi a placa, quase imediatamente soltou o mesmo ponto de exclamação.

-
Fdasse!!!...
Pois, foi isso mesmo.
- Fuga aos Quartos de NavegaçãoSe atracarem num porto para descansar e á noite quiserem ir para a borga, nunca se esqueçam que quando sairem para o mar pesa sobre cada um dos membros da tripulação a responsabilidade do Quarto de vigia.
Desta vez recebi uma recomendação de um colega de navegação, que passo a citar:
"Vais na mesma, tens é que entrar no barco antes do amanhecer, se derem pela tua entrada, dizes que foste apanhar ar porque estavas mal disposto, claro que com a ressaca não vais aguentar o Quarto, pelo que vais continuar mal disposto e recolhes ao beliche, a restante tripulação faz o quarto por ti, não te preocupes".
Esta não digo de quem é, mas que o tipo saí muitas vezes para apanhar ar e recolhe outras tantas á enfermaria, essa é que é essa!